Prefeitura de Três Coroas contesta que projeto de hidrelétricas no Paranhana seja boato

Na segunda-feira, dia 1º de abril, Três Coroas sediou uma audiência pública que tratou da situação do Sistema Salto de Usinas, que engloba as barragens da Divisa, Blang, Salto, Bugres, Canastra, Toca, Passo do Inferno e Laranjeiras. Já a discussão em torno da construção de novas hidrelétricas no Rio Paranhana ficou em segundo plano e foi abordada de forma superficial.

Para os três-coroenses e também para os moradores das cidades do Vale do Paranhana, a Barragem das Laranjeiras, popularmente chamada de usina abandonada, e a realização de estudos para a construção de novas hidrelétricas no Rio Paranhana têm gerado muita preocupação.

O evento foi promovido pela Comissão de Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa e contou com a participação de autoridades estaduais e municipais.

O diretor de Geração e de Transmissão da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), Jorge Paglioli Jobim, falou que o sistema de segurança das barragens é um tema atual, que nenhuma das barragens que compõem o Sistema Salto apresentou problemas e que existem mecanismos que garantem a segurança das mesmas.

Sobre os temores em relação à Barragem das Laranjeiras, o secretário Estadual de Meio Ambiente e Infraestrutura, Artur Lemos, disse que ela é do estado e que não há interesse por parte do governo estadual em ativa-la. Segundo ele existe um laudo produzido em 2017 que atesta a segurança da barragem e que o mesmo deverá ser de acesso público. 

Quando questionado pelo público sobre a possibilidade de construção de novas hidrelétricas no Paranhana, Lemos disse que não há nada tramitando nesse sentido na esfera estadual, mais precisamente na Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luiz Roessler (FEPAM).

O deputado Estadual Dalciso de Oliveira, que propôs e mediou a audiência, minimizou a questão, dizendo tratar-se apenas de boatos.

Por outro lado, compondo a mesa de autoridades, estava o secretário de Administração de Canela, Governança, Planejamento e Gestão de Canela, Paulo Nestor Tomasini, que no dia 2 de outubro de 2018 assinou o protocolo de número 11591, que autorizou a empresa Espírito Santo Geração de Energia Elétrica LTDA, a realizar estudos de viabilidade para a construção de uma hidrelétrica no Paranhana.

Na época, Tomazini respondia pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Mobilidade Urbana. 

Os estudos já iniciaram e há um vídeo que mostra os trabalhos de perfuração do solo nas margens do rio. O próprio engenheiro Camille Nassar, da Espírito Santo Geração de Energia Elétrica LTDA, empresa que pretende construir a hidrelétrica, estava na plateia da audiência pública e não se manifestou a respeito do assunto, assim como secretário Tomasini.

O mesmo engenheiro já havia falado na Câmara de Vereadores de Três Coroas da sua intenção de construir uma hidrelétrica próxima à divisa com Canela e revelou que também pretende construir uma segunda em outra parte do rio, além de ativar e explorar a Barragem das Laranjeiras.

Poucas horas antes da audiência pública, a Espírito Santo Geração de Energia Elétrica LTDA protocolou em Três Coroas um pedido de reunião com administração municipal, para formalizar a proposta de prospecção de um projeto de hidrelétrica no Rio Paranhana. 

Diante destes fatos, o prefeito de Três Coroas diz que ficou perplexo com a afirmação de que o assunto é fruto da imaginação das pessoas e que tudo não passa de boatos.

“Temos a assinatura de um secretário municipal autorizando os estudos, temos a imagem da perfuração do solo junto à mata ciliar e temos o engenheiro autor do projeto das hidrelétricas. Isso não são boatos e nem fruto da imaginação das pessoas. O que falta para sermos levados a sério? Saí dessa audiência do mesmo jeito que cheguei, sem essa explicação”, disse o prefeito Orlando Teixeira.

O três-coroense Fábio Ruppenthal, participou da audiência e leu um manifesto de repúdio ao projeto das hidrelétricas. Questionado, ele disse que há muitas coisas a serem esclarecidas. “Achei importante o que foi falado sobre o Sistema Salto. As pessoas compareceram, mas ainda há dúvidas em relação aos novos empreendimentos. Tem coisas não esclarecidas e muitas dúvidas no ar”, falou.

 

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